Thu. Aug 20th, 2026

Há momentos em que o tempo se torna o único filtro capaz de limpar a névoa das emoções e expor a realidade como ela é. É exatamente nesse ponto de virada, onde a dor da desilusão cede lugar à clareza e ao libertador resgate da própria história, que se posiciona “Vai Ver”, novo single da banda Nuna, que chega a todos os aplicativos de música no dia 28 de agosto, pela Marã Música.

Transitando com maestria entre o peso do rock, a energia do pop punk e a sensibilidade do pop, a faixa traduz o despertar de quem decide encerrar as justificativas para o egoísmo alheio. Mais do que uma simples música sobre o fim de um ciclo, “Vai Ver” carrega um tom confrontador e catártico, transformando o ato de “colocar para fora” aquilo que ficou engasgado em um verdadeiro manifesto de maturidade.

Este lançamento marca também um momento de plena consolidação para o grupo. Desde a transição da antiga fase como Sem Meia até a construção do som atual — marcado pelas guitarras densas, grooves marcantes e pelos vocais pulsantes da Manu —, a Nuna demonstra estar cada vez mais dona de si, apostando em um som autêntico, direto e sem firulas.

Em um papo sincero e sem filtros, a banda abre o jogo sobre o processo criativo por trás da faixa, a busca constante por sua identidade sonora e como olhar para o passado sem raiva pode ser o passo definitivo para tomar as rédeas do próprio destino. Confira a entrevista na íntegra a seguir:

“Vai Ver” fala sobre revisitar uma relação e enxergá-la de outra forma. Vocês acham que o tempo é essencial para perceber situações e comportamentos que, enquanto estamos vivendo, não conseguimos identificar?

O tempo e a visão sobre o passado

Totalmente. Quando você tá dentro do relacionamento, tem muita coisa que passa batido porque o sentimento cega. O tempo te dá aquele respiro necessário pra você olhar pra trás, sem a névoa da emoção, e mandar um “caramba, como é que eu não vi isso antes?”. Em “Vai Ver”, essa revisitada não vem com raiva, mas com aquela clareza libertadora de quem finalmente entendeu o jogo.

A letra tem momentos bastante diretos, como “você não é assim tão bom como você se vê”. Foi importante para vocês que a música tivesse esse tom mais confrontador, quase como se dissesse em voz alta coisas que ficaram guardadas por muito tempo?

O tom direto e a frase “não é assim tão bom”

Cara, foi bom demais colocar isso pra fora! A gente passa tempo demais engolindo sapo e justificando a atitude dos outros. Mandar um “você não é assim tão bom como você se vê” de peito aberto é quase terapêutico. Não é pra arrumar briga, é pra tirar esse peso das costas e dizer em voz alta uma verdade que ficou engasgada por muito tempo.

Vocês transitam entre rock, pop punk e pop, mas falam bastante sobre a busca por uma identidade própria dentro dessas referências. O que vocês sentem que hoje faz alguém ouvir uma música e reconhecer imediatamente que aquilo é Nuna?

A assinatura e a identidade do som da Nuna

A gente ama essa mistura de rock, pop punk e pop, mas acho que o que faz a galera ouvir e sacar de cara que é Nuna é o contraste. É a união de uma melodia, forte e bem presente, com uma energia instrumental pesada e, principalmente, a verdade na letra. A gente não esconde o que sente. Essa junção de garra com vulnerabilidade é a nossa cara.

A banda passou pela mudança de Sem Meia para Nuna e vem construindo uma nova fase desde então. Onde “Vai Ver” se encaixa nesse processo de amadurecimento e o que ela aponta sobre os próximos passos do grupo?

A transição da Sem Meia pra Nuna e o momento de “Vai Ver”

Essa som é divisor de águas pra gente. A fase de Sem Meia foi incrível pra gente se experimentar e aprender, mas como Nuna e em “Vai Ver”, a gente se encontrou de verdade. Essa música mostra uma banda muito mais dona de si, com o som bem amarrado e uma postura sem medo. Ela aponta diretamente pra onde a gente quer ir: um som cada vez mais autêntico, maduro e sem firula.

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