Premiada montagem da Trupe Investigativa Arroto Cênico adapta o clássico para o cordel e realiza circuito gratuito de apresentações e oficinas em Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis
Nancy Calixto entra em cena carregando a responsabilidade de dar vida à Mãe Pata, uma figura central que sintetiza o conflito emocional de “O Patinho Feio“. Em meio ao nascimento da ninhada, ela personifica o zelo e, simultaneamente, a angústia de perceber que seu filho é diferente dos demais. Através de sua interpretação, Nancy traduz a impotência de uma mãe diante da discriminação da vizinhança, mas também a doçura de quem tenta, à sua maneira, proteger o que é singular. Mais do que uma personagem isolada, ela se desdobra como uma “brincante narradora”, conduzindo o público por essa jornada de autodescoberta e acolhimento.
A atriz é peça fundamental na Trupe Investigativa Arroto Cênico, coletivo de Nova Iguaçu que há 11 anos desafia fronteiras geográficas para firmar a Baixada Fluminense como um polo de excelência artística.
O espetáculo “O Patinho Feio”, idealizado pelo grupo e produzido por Erick Galvão, Marcos Covask e Nathália Lamim, foi contemplado no Edital Fluxos Fluminenses, e é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc. A montagem com dramaturgia de Beto Gaspari, Cesário Candhí e Marcos Covask é uma livre adaptação teatral em forma de cordel do conto homônimo de Hans Christian Andersen. O projeto irá realizar um circuito de cinco apresentações gratuitas pelos municípios de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis e um ciclo de três oficinas formativas.

O sucesso desse projeto é traduzido em números e reconhecimento: desde a estreia em 2021, a peça já alcançou cerca de 12 mil pessoas, conquistou 22 prêmios e foi eleita pelo crítico Dib Carneiro Neto como um dos dez melhores espetáculos infanto-juvenis nacionais fora do eixo paulistano. Esse fôlego é fruto de um trabalho em rede que busca o aprimoramento constante e a troca de experiências, permitindo que a Trupe circule por municípios como Mesquita e Nilópolis, democratizando o acesso ao teatro de alta qualidade e reforçando a identidade estética do território da Baixada.
Em entrevista, Nancy compartilha os bastidores dessa engrenagem coletiva, revelando como o elenco se divide entre instrumentos, cantos e atuação para manter o frescor de uma obra que já percorreu mais de 20 festivais. Ela reflete sobre a “magia” de atuar para o público infantil e a importância vital de levar às famílias uma mensagem de respeito às diferenças. Acima de tudo, a artista discute como a vivência na Baixada Fluminense molda sua estética, transformando o palco em um exercício diário de representatividade e resistência cultural.
Confira o bate papo completo:
Nancy, atuar para o público infanto-juvenil exige uma energia muito específica. Como você mantém o fôlego e o frescor da peça após mais de 20 festivais nacionais?
Atuar para crianças é sempre muito gostoso e a peça O Patinho Feio tem uma montagem tão dinâmica que o tempo passa tão rápido que quando vejo já acabou, acho que é essa magia que me dá fôlego.

Como é a dinâmica de grupo em cena, considerando que todos precisam se desdobrar em múltiplas funções artísticas ao mesmo tempo?
É um jogo muito legal! A gente canta, toca , contracena e troca uma energia muito boa em cena. Tudo está interligado num espetáculo popular, cheio de energia, como numa colcha de fuxico.
Qual mensagem principal você espera que as famílias levem para casa após assistirem a esta versão de “O Patinho Feio”?
Respeitar as diferenças é fundamental em nossas vidas.
De que maneira a vivência artística na Baixada Fluminense influencia a sua construção estética e interpretativa neste espetáculo?
A Baixada com toda sua diversidade mexe com a gente todos os dias. Assim seguimos em nosso exercício diário, de ser artistas que representam nosso Território em tudo que fazemos.

