Com mais de uma década de estrada e sucessos que ultrapassam a marca de 2 milhões de players, a banda NDK consolidou seu nome no cenário nacional através de uma sonoridade pulsante e cheia de energia. No entanto, em 2026, o quarteto de Jundiaí (SP) decidiu subverter as expectativas do público e explorar um território até então inédito em sua discografia: o minimalismo absoluto. No próximo dia 20 de março, o grupo apresenta “NDK para bebês”, álbum lançado pela Marã Música que traduz grandes momentos da carreira da banda para o universo lúdico e relaxante dos arranjos de xilofone. Faça agora o pré-save
O projeto não é apenas uma curiosidade estética, mas uma verdadeira linha do tempo afetiva. Ao selecionar faixas que atravessam eras, desde o clássico “Vou Sonhar”, de 2010, até a recente “7 Horas”, de 2025, o grupo, em parceria com o produtor Nelson Luiz Schulz (Nell), conseguiu extrair a essência melódica de suas composições. O resultado é um trabalho que transita entre o infantil e o chilling, provando que uma boa canção sobrevive e se ressignifica mesmo quando despida de guitarras, baterias e letras, restando apenas o brilho metálico e doce das notas percussivas.
Para além do público infantil, o álbum surge como um convite à pausa em um mundo cada vez mais acelerado. A proposta de “NDK para bebês” é oferecer uma experiência de introspecção e alívio sensorial para ouvintes de todas as idades, servindo como uma trilha sonora para momentos de reflexão ou de simples quietude. Acompanhado de visualizers que trazem o logo da banda em uma versão “baby”, o lançamento reforça o compromisso do grupo em manter uma produção constante e criativa, desafiando os próprios limites e as definições de gênero musical.
Nesta entrevista, Henrique Roncoletta, Julio Neves Pires, Caio Vinicius e Fernando Lavinhati mergulham nos detalhes dessa transição sonora. Eles revelam como foi o exercício de desapego ao transformar hinos do rock em canções de ninar e discutem como essa busca pelo essencial pode influenciar os próximos passos da banda. Prepare o fone de ouvido, respire fundo e descubra como o NDK aprendeu que, muitas vezes, o silêncio e a simplicidade são as ferramentas mais poderosas para emocionar.
Confira o bate papo completo:
Vocês imaginaram em algum momento, lá no começo da banda, que um dia o repertório do NDK viraria um álbum instrumental “para bebês”? Como foi perceber que as melodias das músicas também funcionam nesse formato mais delicado e minimalista?
O processo foi muito gostoso, pois precisávamos “escolher” o repertorio junto com o produtor do projeto e fomos percebendo as mudanças e as nuances das fases da banda até aqui. Relembrar é viver, e ver o material ganhando essa “forma” diferente, foi muito divertido.

Transformar músicas originalmente cheias de energia em versões suaves de xilofone exige quase um exercício de desapego. O que vocês descobriram sobre as próprias composições ao reduzi-las ao essencial?
O simples sempre é muito gostoso, e como já dizia o clichê “menos é mais”. Acho que foi nesse sentido, percebemos que muitas das musicas funcionam e emocionam com pouco, o que e realmente magico.
O projeto brinca com a ideia de música infantil, mas também parece convidar o ouvinte adulto a desacelerar. Vocês veem esse álbum como uma espécie de pausa criativa dentro da trajetória intensa do NDK?
Sim, com certeza! Desde o “Impermanência” de 2017, a gente fala e aborda essa tematica. O desacelero, o voltar a sentir, se emocionar, chorar, ser verdadeiro independente dos erros e da correria que a sociedade te impõe.
Depois de revisitar o próprio catálogo de um jeito tão inusitado, vocês acham que essa experiência pode influenciar a forma como o NDK vai compor ou produzir músicas no futuro?
Acho que tudo acaba nos influenciando, mesmo que indiretamente. Estamos em um momento de pausa, de projetos pessoais, mas sempre em movimento. Dizem por ai que esse ano tem mais musica nova. Sigam sonhando e acreditando em vocês próprios. Obrigado pelo espaço, muito amor a todos.

