Desde criança, Caio Beatbox descobriu que a própria voz poderia ser mais do que apenas um meio de cantar ou falar. Transformando sons, texturas e ritmos em uma linguagem musical própria, o artista paulistano construiu uma trajetória que passa por batalhas de beatbox, televisão internacional, palcos emblemáticos e projetos educacionais. Nesta entrevista exclusiva para a Energy Mag, ele relembra os primeiros passos na música, comenta a repercussão de sua participação no reality português “Casa dos Segredos”, fala sobre sua primeira composição autoral e revela os próximos planos para sua carreira.
Confira o bate-papo completo:
Você começou a fazer beatbox ainda criança, imitando sons em casa e na escola. Em que momento percebeu que aquela brincadeira poderia se transformar em uma carreira artística de verdade?
Começou realmente como uma brincadeira. Eu tinha por volta de 10 anos e ficava imitando sons de músicas em casa e na escola, principalmente batidas e efeitos. Na época eu nem imaginava que aquilo poderia virar profissão.
A virada aconteceu quando fiz meu primeiro show, aos 16 anos, em uma balada em São Paulo. Foi a primeira vez que vi o público reagindo ao que eu estava fazendo e percebi que as pessoas se surpreendiam ao descobrir que todos aqueles sons vinham só da voz. Ali entendi que aquilo poderia virar uma carreira. Desde então comecei a estudar mais a técnica e também a compor. Minha primeira música autoral foi “Tentando Entender”, que está disponível no Spotify, e foi um passo importante para transformar o beatbox em algo realmente musical dentro do meu próprio repertório.
Sua passagem pelo reality português Casa dos Segredos foi breve, mas acabou apresentando seu trabalho para milhões de pessoas. Como foi viver essa experiência de exposição intensa e perceber a repercussão que ela gerou?
Foi uma experiência muito intensa, porque dentro do reality tudo acontece muito rápido e você está sendo observado o tempo todo. Mesmo ficando pouco tempo, consegui mostrar um pouco da minha arte e da minha história para um público enorme.
Depois que saí do programa comecei a receber muitas mensagens e convites para entrevistas e trabalhos. Foi interessante perceber como a participação acabou apresentando o beatbox e o meu trabalho para muita gente que talvez nunca tivesse tido contato com isso. De certa forma abriu novas portas e ampliou bastante o alcance do meu trabalho.
Você costuma dizer que busca ir além da percussão vocal tradicional, criando arranjos completos apenas com a voz. Como funciona esse processo criativo?
O primeiro passo é ouvir a música com muita atenção e tentar entender todos os elementos que estão ali: bateria, baixo, sintetizadores, efeitos e melodia. Eu separo mentalmente cada parte para entender como ela funciona.
Depois começo a experimentar vocalmente esses sons, tentando reproduzir o timbre e a textura de cada instrumento. Quando consigo recriar as camadas principais, vou juntando tudo até formar um arranjo completo feito só com a voz. É quase como montar uma banda inteira usando apenas o corpo como instrumento.

Ao longo da carreira você já transitou entre batalhas de beatbox, televisão, campanhas publicitárias e projetos educacionais. Como essas experiências ajudaram a construir sua identidade artística?
As batalhas de beatbox foram muito importantes para desenvolver técnica e presença de palco, porque ali você aprende a se conectar com o público e a improvisar. Foi um ambiente que me ajudou muito a crescer artisticamente.
Já as aulas e oficinas me trouxeram outro aprendizado, principalmente com crianças e jovens. Ensinar beatbox também é uma forma de mostrar que qualquer pessoa pode explorar a própria voz como instrumento. Hoje eu também levo essa experiência para os palcos: faço shows em festas e eventos em São Paulo e já tive a oportunidade de me apresentar no Blue Note São Paulo, ao lado de um dos tecladistas que tocou com Amy Winehouse, o que foi uma experiência muito especial para mim.
Depois da visibilidade conquistada em Portugal e da nova fase ao lado da Atabaque, quais são os próximos passos da sua carreira?
Agora o foco é estruturar melhor meu projeto artístico, gravar novos conteúdos e desenvolver um show ao vivo mais completo, que mostre tudo o que o beatbox pode fazer musicalmente.
Com a Atabaque, a ideia também é explorar novas possibilidades sonoras, principalmente criando versões de músicas da MPB com beatbox, misturando tradição brasileira com essa linguagem vocal mais contemporânea. Também quero colaborar com outros artistas e ampliar meu público, tanto no Brasil quanto fora. Meu maior objetivo é construir um espetáculo forte e criar uma conexão verdadeira com quem acompanha o meu trabalho.
Ping-pong com Caio Beatbox:
Um som que você adora reproduzir no beatbox:
Zíper.
Um artista que te inspira:
MB14.
Uma música que você gostaria de recriar só com a voz:
“Você é Assim”, dos Tribalistas.
Um momento marcante da sua carreira até agora:
Ganhar o Leão de Bronze no Festival de Cannes, em 2019, pelo melhor uso de trilha sonora.
Um sonho profissional:
Fazer um grande show ao vivo e dividir o palco com artistas que admiro.
Beatbox em três palavras:
Arte pura e rústica.

