Sun. Mar 1st, 2026

No dia 16 de janeiro, a cena do rock potiguar ganha um novo marco com o lançamento de “A Volta por Cima”, novo single da banda Rádio Moscou. Lançada pelo selo Marã Música, a faixa não é apenas um novo trabalho, mas um divisor de águas na trajetória do grupo de Mossoró (RN). O lançamento oficializa a estreia de Thiago Sabiá como vocalista, que, embora seja membro fundador, assume agora a responsabilidade de ser o frontman em um momento de renovação e amadurecimento artístico.

A canção carrega um peso emocional histórico: escrita pelo antigo vocalista, Paul, a letra narra uma jornada de superação e reviravolta pessoal que atravessa gerações da banda. Sonoramente, a Rádio Moscou mergulha nas raízes do rock dos anos 2000, trazendo uma estética direta e energética que remete a nomes como Charlie Brown Jr., Limp Bizkit e Detonautas. O projeto ganha ainda mais força com a produção e participação especial de Adriano Daga (baterista da banda Malta), consolidando uma sonoridade profissional e visceral que já vem sendo aclamada em audições prévias.

Formada em 2018, a Rádio Moscou consolidou-se como um dos nomes mais expressivos do rock alternativo no Rio Grande do Norte, acumulando singles de sucesso e o elogiado EP “Inabalável”. Agora, com “A Volta por Cima”, o grupo reafirma seu compromisso com mensagens positivas e reflexivas, focando na crença nos próprios sonhos mesmo diante da descrença alheia. É com essa energia de recomeço que a banda detalha, na entrevista a seguir, os bastidores e as expectativas para este novo capítulo.

Em entrevista exclusiva, a banda Rádio Moscou abre o jogo sobre sua nova fase com o lançamento do single ‘A Volta por Cima’. O grupo fala sobre a estreia de Thiago Sabiá nos vocais, a decisão de ressignificar uma composição do antigo vocalista e como a parceria com Adriano Daga (Malta) ajudou a consolidar a identidade rock n’ roll que define este novo capítulo da carreira.

Confira o bate papo completo:

“A Volta por Cima” marca a estreia de Thiago Sabiá como vocalista da Rádio Moscou. Como foi assumir esse novo papel à frente da banda e o que mais mudou para vocês com essa transição?

“A Volta por Cima” tem um peso simbólico muito grande pra gente justamente por marcar esse novo momento. Assumir os vocais foi um desafio enorme, mas aconteceu de forma muito natural. Não foi uma decisão tomada de um dia pro outro — veio de um processo interno da banda, de conversas, amadurecimento e, principalmente, de entender o que a Rádio Moscou queria dizer daqui pra frente. Pra mim, pessoalmente, foi sair de um lugar de conforto e encarar uma responsabilidade maior, não só técnica, mas emocional. Passar a ser a voz da banda é também assumir a linha de frente das mensagens, das histórias e da identidade que a gente quer transmitir.

A música foi composta pelo antigo vocalista e faz parte da história da banda. Como foi revisitar essa canção agora e dar a ela um novo significado nesse momento da carreira?

Revisitar essa música foi um processo muito respeitoso e, ao mesmo tempo, emocionante. Ela carrega uma história importante da banda e tem uma identidade muito forte ligada ao antigo vocalista, então a primeira preocupação sempre foi honrar isso. Não fazia sentido apagar o passado pelo contrário, ele faz parte de tudo o que a Rádio Moscou é hoje. Ao mesmo tempo, o momento atual deu naturalmente um novo significado pra canção. A letra passou a dialogar muito mais com o que a banda vive agora: mudanças, incertezas, recomeços e a necessidade de seguir em frente acreditando. Foi como se a música tivesse esperado esse tempo pra ser cantada de um outro lugar, com outra bagagem. A gente não tentou reinventar “A Volta por Cima”, mas sim ressignificá-la. Trazer essa canção de volta nesse ponto da carreira é assumir que a história continua, que a banda amadureceu, mudou de forma, mas manteve a essência. Hoje ela soa quase como um manifesto desse novo capítulo da Rádio Moscou.

A sonoridade do single traz fortes referências ao rock dos anos 2000. Por que essa estética ainda representa bem a identidade da Rádio Moscou hoje?

Rock dos anos 2000 foi um período muito formador pra gente, tanto como ouvintes quanto como músicos. É uma sonoridade que carrega intensidade, melodias fortes e letras diretas, sem muitos filtros e isso conversa muito com a identidade da Rádio Moscou. A gente sempre acreditou nesse tipo de música que vai direto ao ponto, que emociona e que dá energia. Mesmo olhando pra frente, essa estética ainda faz sentido porque ela não soa datada pra nós, ela soa honesta. É uma linguagem que permite falar de sentimentos reais, de conflitos cotidianos e de superação de um jeito acessível e visceral. O rock dos anos 2000 tem essa força de ser popular sem perder atitude, e é exatamente esse equilíbrio que a banda busca hoje.

O single conta com a participação de Adriano Daga, da Malta. Como essa parceria aconteceu e o que ela acrescentou ao resultado final da música?

Participação e produção do Daga aconteceu de forma muito natural. A gente já havia trabalhado junto em outras duas músicas, Cenas e Sistemas. A gente já admirava o trabalho dele há bastante tempo, tanto pela trajetória com a Malta quanto pela sensibilidade musical que ele tem como produtor e músico. Quando resolvemos gravar a volta por cima sentimos que ela pedia alguém que entendesse esse universo do rock mais direto, emotivo e popular, mas sem perder identidade. No resultado final, o Daga trouxe ainda mais força e coesão pra música. Ajudou a lapidar a sonoridade, valorizar os refrões e deixar a canção mais intensa, sem perder a essência da banda. Foi uma parceria que agregou experiência, energia e um olhar externo fundamental pra marcar esse novo capítulo da Rádio Moscou.

Ouça a banda no Spotify:

Veja também