Tue. Jun 2nd, 2026

O rock alternativo sempre encontrou sua força na capacidade de transformar o desconforto interno em arte palpável e barulhenta. É exatamente nessa intersecção entre o ruído da mente e a distorção das guitarras que o projeto Capim Cósmico, liderado pelo músico e compositor Mateus Cursino, apresenta seu mais novo single, “Capivara & Fuzz” e estampa a nova capa digital da Energy Mag. Lançada pela Marã Música nesta quarta-feira (03), a faixa consolida o amadurecimento do projeto no cenário independente e marca um passo definitivo na trajetória de Cursino, já conhecido por suas passagens marcantes em palcos como o Sesc Belenzinho e o festival Hacktown. Faça já o pré-save!

Desta vez, o processo criativo ganhou uma nova energia com a chegada oficial da banda de apoio, trazendo Alberto Barbosa no baixo e Fernando de Paula na bateria. Juntos, o trio refinou a identidade do projeto, apostando em uma sonoridade crua, orgânica e visceral. O resultado é um mergulho estético que resgata a urgência das garagens dos anos 90, equilibrando perfeitamente o peso das texturas sonoras com reflexões profundas sobre a condição humana e a nossa constante busca por lucidez em meio ao caos contemporâneo.

Em entrevista exclusiva, Mateus Cursino abre o jogo sobre o significado místico e psicológico por trás da curiosa metáfora da capivara, detalha as fortes influências de ícones do rock como Sonic Youth e Dinosaur Jr., e explica como a nova dinâmica coletiva em estúdio moldou o arranjo do single. Além disso, o músico revela as expectativas para os próximos passos da banda, que já tem um EP a caminho, e analisa a dualidade entre o real e o irreal que move a sua arte.

Confira o bate papo completo:

“Capivara & Fuzz” transforma a capivara em uma figura simbólica ligada a vícios, repetição e pensamentos intrusivos. Como surgiu essa metáfora e em que momento vocês perceberam que ela traduzia bem o clima da música?

Bem, a capivara, na língua tupi, que deu origem ao nome, significa “comedor de capim”. E o projeto Capim Cósmico é um processo de transformação por qual eu, Mateus Cursino, estou passando. Imaginar uma capivara no meu quintal não é algo de outro mundo, na real isso aconteceu de fato. Porém hoje, passados alguns meses, fica difícil definir se o que aconteceu foi real ou não. Há alguns momentos em que a realidade transcende o “espaço físico” e o mundo no qual nós vivemos. E eu tive alguns momentos recentes assim. A realidade e a espiritualidade metafísica se transformaram numa coisa só.

A faixa traz referências muito fortes do rock alternativo dos anos 90, especialmente na textura das guitarras e na atmosfera mais crua. Quais artistas e discos foram essenciais para construir essa identidade sonora do single?

A primeira referencia mais clara e mais direta é a banda Sonic Youth, principalmente pelo álbum “Goo”. As guitarras e a bateria são totalmente influenciadas por esse disco que foi lançado em 1990. Outra referência e não menos importante, é o primeiro disco do Queens Of The Stone Age, que só foi lançado mais tarde, em 1998. Pra finalizar, eu cito o disco do Dinosaur Jr, o Without a Sound, lançado em 1994. Agora, muita gente costuma citar alguma semelhança do Capim Cósmico com a banda gaúcha Cachorro Grande e eu gosto muito dessa citação.

Vocês comentam que a música nasceu de um riff e ganhou força no trabalho coletivo com a nova formação da banda. Como essa dinâmica em grupo vem influenciando os novos caminhos do Capim Cósmico?

Sim, a música surgiu com a intro e foi muito rápido todo o processo de composição. Dessa vez, a banda atuou em conjunto de fato. Os integrantes não precisaram tirar uma gravação, na real foi tudo feito em estúdio trabalhando em grupo. A letra foi feita por mim (Mateus Cursino) mas os arranjos foram totalmente obra de um processo normal como em qualquer outra banda. O Alberto Barbosa fez linhas de baixo excelentes, gravou tudo num primeiro take. E o Fernando de Paula pegou a ideia da bateria sem que eu precisasse explicar muita coisa. Foi bacana, pq cada um ficou livre pra utilizar suas próprias referencias. Agora, a ideia já é sair gravando desse modo, um EP já está à caminho.

“Capivara & Fuzz” parece caminhar entre desconforto e acolhimento ao mesmo tempo, quase como um retrato do caos interno contemporâneo. O que vocês esperam que o público sinta ao ouvir essa faixa?

Nos shows nós já estamos tocando-a e tem sido uma reação muito bacana e positiva, porque é uma faixa que contém uma certa intensidade e casa muito bem com o repertório atual do grupo. Nós já temos faixas de encerramento e abertura, que são coisas importantes para a dinâmica de uma apresentação. Ou seja, o público já está se identificando e a versão de estúdio está muito boa, muito bem equilibrada e tudo no seu devido lugar. Quanto à letra, quem nunca teve um momento de dúvida entre o que era real e irreal? Acho que como humanos, não conseguimos entender tudo o que está a nossa volta e quanto mais tentamos mais longe ficamos das respostas.

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