No dia 26 de junho, a cena do pop-rock alternativo brasileiro ganha um novo e potente capítulo com o lançamento de “NARRATIVA!”, o mais recente single da cantora, compositora e produtora carioca Natasha Hoffmann. Lançada pela Marã Música, a faixa combina guitarras enérgicas – inspiradas no peso dos anos 90 e no início dos anos 2000 – a texturas eletrônicas contemporâneas. Mais do que uma aposta sonora ousada, a canção surge como um manifesto direto contra o machismo estrutural e as narrativas misóginas que insistem em testar e questionar a competência de mulheres na indústria musical. Faça o pré-save!
Formada em composição e produção musical em Los Angeles, Natasha não hesita em usar a própria bagagem para alimentar sua arte. “NARRATIVA!” nasceu de um longo processo de purgação: um desabafo visceral que transformou episódios reais de desvalorização profissional, silenciamento em estúdios e assédio nas redes sociais em um hino de resistência. A faixa canaliza a raiva e a exaustão acumuladas ao longo dos anos, devolvendo-as ao público na forma de um deboche inteligente e de um refrão catártico feito para ser gritado a plenos pulmões.
Na entrevista a seguir, Natasha Hoffmann abre os bastidores dessa criação tão íntima quanto coletiva. Ela detalha como equilibrou influências que vão de Rita Lee e o movimento Riot Grrrl até Billie Eilish e Olivia Rodrigo, analisa os desafios de ser uma mulher produtora em um mercado ainda dominado por homens e revela o que espera despertar no público feminino com este novo lançamento. Confira o papo completo:
Em “NARRATIVA!”, você transforma experiências pessoais em um manifesto contra o machismo na indústria musical. Como foi o processo de transformar episódios tão frustrantes e íntimos em uma composição que também dialoga com a realidade de tantas outras mulheres?
Foi extremamente libertador e catártico. Eu sempre quis escrever uma música como essa: que abordasse o machismo com seriedade, mas que não fosse pesada; uma música bem energética e que dá vontade de cantar e gritar a letra.

A música reúne referências que vão de Rita Lee, Hole e No Doubt até Paramore, Olivia Rodrigo, Billie Eilish e Doechii. Como você equilibrou essas influências tão diversas para construir uma identidade sonora que fosse, ao mesmo tempo, combativa e contemporânea?
Acho que uma grande parte de fazer música é escutar música. Não acredito que nenhum artista consiga se desenvolver sem ter boas referências, então passo muito tempo escutando artistas que eu admiro, destrinchando as composições, as produções musicais.
Toda vez que eu estou compondo e/ou produzindo, eu crio uma playlist com músicas que inspiram/inspiraram esse projeto e tento entender quais elementos de cada música são os meus favoritos e trazer eles para minha estética.
Um dos pontos mais fortes da canção é a crítica às narrativas que colocam em dúvida a competência de mulheres artistas, produtoras e compositoras. Você acredita que a indústria musical brasileira está mudando nesse aspecto ou ainda há barreiras estruturais importantes a serem enfrentadas?
Acredito sim que a indústria brasileira esteja mudando sim, mas é uma mudança muito lenta.
É fácil se iludir achando que o Brasil tem progredido muito nesses últimos anos porque temos artistas muito incríveis como Anitta, Marina Sena (entre tantas outras) ganhando respeito e levantando o tópico de desigualdade na indústria, mas isso não muda o fato de que a indústria ainda é dominada por homens. Eu estava fazendo uma pesquisa sobre esses dados e a UBC saiu com uma pesquisa que mostra que só 10% dos direitos autorais na indústria foram destinados a mulheres em 2025, e a maioria desses 10% a mulheres sudestinas. Ainda temos muito que progredir.

Apesar de nascer da raiva e da exaustão, “NARRATIVA!” também transmite uma sensação de resistência e protagonismo. O que você espera que mulheres que atuam na música, e até em outras áreas profissionais, sintam ao ouvir essa faixa pela primeira vez?
Quero que elas se sintam menos sozinhas, que saibam que existem outras mulheres que também são afetadas por isso e que não vão aceitar ou se conformar. É muito importante lembrar que não é porque somos colocadas numa posição inferior e menosprezada que temos que aceitar isso.

