Estampando a nova capa digital da Energy Mag, o cantor e compositor DIMAS apresentou recentemente ao público seu mais novo single, “cinema tropical“, já disponível em todas as plataformas de áudio. A faixa inaugura oficialmente os trabalhos de seu futuro álbum de estúdio, “baby blue”, marcando um momento decisivo em sua carreira. Unindo a elegância da bossa nova com a energia vibrante do pop oitentista do Kid Abelha, o artista utiliza cenários urbanos de São Paulo e memórias de um relacionamento efêmero para transformar um coração partido em uma obra madura, confessionária e sinestésica.
Após um hiato de oito meses, o lançamento representa uma virada de chave estética sustentada por uma produção refinada e essencialmente orgânica. Com arranjos marcantes de saxofone gravados ao vivo, DIMAS constrói uma ponte entre a nostalgia e a sonoridade contemporânea. A obra serve como o cartão de visitas ideal para a transição do artista rumo à MPB, preparando o terreno para um disco repleto de instrumentistas, parcerias inéditas e uma identidade visual abertamente inspirada na melancolia e na vivacidade da capital paulista.
Em entrevista exclusiva à Energy Mag, DIMAS abre o jogo sobre o desafio de arriscar e mudar de rota no mercado independente, revelando como a convivência nos bastidores com grandes mestres da música brasileira transformou sua visão artística. O cantor detalha a arquitetura melódica de “cinema tropical”, a escolha por instrumentos orgânicos em vez de sintetizadores computadorizados e a importância da dor de cotovelo como combustível criativo. Além disso, reflete sobre o papel da nova geração na renovação da MPB e adianta os próximos passos de sua jornada nos palcos.
Confira agora o bate papo completo:
“cinema tropical” já está em todos os apps de música. Qual o sentimento de ver essa faixa na rua?
Depois de 8 meses sem lançar e recalculando rotas é um pouco desafiador, eu escolhi o caminho mais difícil que é mudar e arriscar, mas foi muito bom ver que quem me acompanha já espera isso de mim e entrou na onda. Estou feliz em poder entregar um trabalho diferente e ao mesmo tempo autêntico e fiel a minha verdade.

Você mencionou que baby blue marca sua transição definitiva para a MPB. O que motivou esse movimento agora e qual foi o maior desafio técnico nessa mudança?
Creio que trabalhar na comunicação e marketing do Prêmio da Música Brasileira e conhecer meus maiores ídolos só me deu coragem pra algo que já estava aqui. Estar tantas vezes cara a cara com o Ney Matogrosso e vê-lo fazer seu trabalho é algo que te muda espiritualmente. Senti que queria melhorar meu som e meu trabalho como um todo. É impossível você ver a genialidade de uma Zélia Duncan, Marina Sena na tua frente e não desejar mergulhar no mesmo mar. Isso me mudou como pessoa e como artista.
“cinema tropical” mescla a elegância de Tom Jobim com a energia oitentista. Como funcionou essa arquitetura melódica na prática durante as sessões de estúdio?
Em 2025, entrei na pira de produzir um projeto com essa sonoridade e que levaria mais tempo para ser feito, a melodia da música começou neste ano junto com seu refrão no estúdio do Lucas Marmitt, ali a gente bebeu bastante da bossa nova, principalmente na percussão e nas cordas, mas entendi pouco após que talvez eu devesse pegar algo único pra música, algo que não estivesse sendo tão olhado e feito por outros artistas agora e foi aí que entrou a energia oitentista do Kid Abelha, Richie e afins.
baby blue promete o primeiro feat da sua carreira e uma rica presença de instrumentistas. O que você buscava ao abrir seu processo criativo para outros músicos nesta fase?
Eu acho que era a hora, eu precisava de trabalhos onde pudesse exercitar e aprender tudo o que dava de forma segura e sem julgamentos. Agora, com isso feito e validado é hora de me abrir para mais pessoas e somar criativamente transformando meu som em toda a potência que ele pode atingir.

Como você enxerga o papel da nova geração de artistas independentes na manutenção e renovação da MPB no cenário atual?
A inovação e refresco de ideias sempre começam desse lado do mercado. E eu acho que só uma nova leva de artistas é capaz de resgatar o que temos de mais precioso na música brasileira e propor novas conversas. Isso é muito mais difícil para quem já está na estrada fazendo um trabalho amplamente validado, saca? A pessoa se desafia, sim, na hora de produzir e trazer sonoridades, mas talvez se mantenha na mesma narrativa pois ainda faz sentido. Não é negativo, mas o novo só vem dessa forma: através da vontade e ímpeto de fazer acontecer e viver daquilo.
Quais os próximos passos da carreira?
Ao vivo, shows, ver as pessoas nos olhos e fazer músicas que eu queria gritar no palco. Acho que essa próxima fase é sobre viver sem desculpas e cantar histórias mais abrangentes, cansei de olhar só pra mim, quero dividir as páginas com o mundo.

