Thu. Oct 22nd, 2026

Sair de Porto Alegre, construir uma carreira artística e conseguir viver do próprio trabalho nos palcos foi um caminho que Ana Guasque começou a percorrer ainda adolescente. Atriz há mais de três décadas, ela fez do teatro o principal território de sua trajetória e, ao mesmo tempo, aprendeu a atuar nos bastidores para viabilizar os próprios projetos. Hoje, além de atriz, é autora, diretora e produtora cultural e administra uma carreira marcada pela circulação de espetáculos por diferentes cidades brasileiras.

Ana se profissionalizou aos 15 anos, inicialmente na dança e, pouco depois, no teatro. Aos 19, já coordenava e produzia a turnê nacional da companhia de dança da qual fazia parte, participando da idealização do projeto, captação de recursos e execução da circulação. O que começou como uma necessidade para conseguir colocar seus trabalhos em cena acabou se transformando em uma segunda frente profissional.

Natural de Porto Alegre e formada pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), Ana soma mais de 35 espetáculos no currículo. Também se graduou em Direito e incorporou o conhecimento jurídico à atividade artística, especialmente na administração de contratos, direitos e relações profissionais envolvidas em seus projetos. “Em Porto Alegre eu trabalhava muito, com dança, teatro, publicidade, tava sempre viajando para os festivais, sempre integrando elenco de algum espetáculo, ou me apresentando com os repertórios da companhia, sempre com bastante mídia, bastante divulgação. Quando mudei pra São Paulo, não conhecia ninguém, ninguém me conhecia e foi preciso ter humildade para ser aprendiz. Fui de profissional a aprendiz,  e foi a melhor coisa que fiz na vida!” reflete Ana Guasque. 

Essa autonomia permitiu que construísse projetos de diferentes dimensões e circulasse pelo país sem depender exclusivamente de convites para trabalhar. Como produtora, esteve à frente da concepção, desenvolvimento, captação e realização de espetáculos e estabeleceu parcerias com grandes empresas patrocinadoras. Em “Mulheres de Shakespeare”, por exemplo, participou da idealização, desenvolvimento, produção e realização de um projeto que alcançou 55 apresentações e mais de 15 mil espectadores presenciais. “O que mais gosto é proporcionar oportunidades para os profissionais que também integram os projetos. E gosto de criar ambientes de trabalho saudáveis, onde as pessoas são valorizadas nos seus talentos, onde esses profissionais tem espaço para se expressar, pra serem quem são, de verdade, é aí que o talento floresce”, explica. 

Um dos exemplos mais recentes dessa união entre criação artística e empreendedorismo cultural é “Amantes do Teatro – A Comédia”, espetáculo em que Ana acumula as funções de atriz, autora, diretora e produtora. Depois de uma primeira circulação nacional, a montagem voltou aos palcos em 2026 para uma nova turnê, levando a diferentes cidades uma produção concebida e gerenciada pela própria artista.

Aos 46 anos, ela vê essa independência não como um afastamento de sua identidade de atriz, mas como a estrutura que lhe permitiu permanecer nos palcos e construir uma carreira de longo prazo. Por trás de cada personagem está também uma profissional que aprendeu a transformar uma ideia em projeto, buscar os recursos necessários, formar equipes, administrar uma produção e, principalmente, encontrar público para o seu trabalho. “Uma coisa muito importante sobre gerenciar a própria carreira, é se perguntar o tempo inteiro: o que me move? Porque nesta profissão, algo maior precisa te mover, senão, não resiste”, reflete Ana. 

Depois de mais de três décadas de trajetória, a gaúcha que começou ainda adolescente nos palcos segue fazendo do teatro sua principal casa artística, agora com a experiência de quem aprendeu não apenas a ocupar o palco, mas a criar as próprias oportunidades para continuar nele.” Vejo esta profissão como uma missão de vida, que cobra seu preço ao ser cumprida e cobra um preço ainda maior se for negada”, finaliza Ana Guasque. 

Veja também